Astrologia: a ciência sagrada dos astros.

Todos nós, dos menos letrados aos pós-graduados da vida, temos uma boa noção do que seja a matemática, a medicina, a psicologia, a física, a filosofia. No mínimo são ciências respeitáveis, conjunto de conhecimento da humanidade, o mesmo não se pode dizer da astrologia, confundida (propositalmente pelos intelectuais, e ingenuamente pelas pessoas comuns) com simples horóscopos, com charlatanismo, com artes satânicas pelos fanáticos religiosos, embora seja extremamente popular.

O fato histórico é que a Astrologia sobrevive como uma anciã sábia que vê a Humanidade cair no poço da decadência materialista, ao mesmo tempo em que tem esperança que dias melhores virão, pois está escrito nas estrelas, e essa é sua Arte Magna, ser a interprete das “dicas” do Universo para uma vida melhor.Para que você, caro leitor, tenha uma idéia mais robusta da astrologia, vamos fazer uma viagem no tempo, para conhecer a história dessa anciã, pense como se fosse sua querida avó contando sua história de vida, mesma que pelas palavras de seus amigos e admiradores.

“A astrologia é a mais antiga que a civilização, e continua amplamente popular em todo mundo. Ela expande a ciência e a arte e conecta astronomia, matemática, medicina, filosofia, religião, psicologia, mitologia e simbolismo. Permeia todos os níveis da sociedade. É parte integrante da cultura diária que todos nós falamos sobre a juventude , de um projeto ou do ser amado . Poucos são aqueles que nunca ouviram falar da e das profecias de Nostradamus. Muitos teólogos e cientistas, porém, rejeitam a astrologia com uma hostilidade irracional que lembra a fúria.” (Marshall,2006,p.30, A astrologia no mundo).

A astrologia é muita antiga, como arte-ciência que estuda a interrelação e interdependência entre o Céu, a Terra e o Ser, podemos afirmar que ela nasce com o próprio Ser. É a busca do si mesmo, de sua razão de existir que a astrologia é formatada, pela constatação mais que óbvia de que tudo está interligado. Sem querer esgotar vou aqui apenas pontuar alguns momentos na história, por exemplo, na Suméria, os astrólogos já conheciam os planetas exteriores, Urano, Netuno e Plutão, que só foram redescobertos no século XIX de nossa era (ver sobre esse ponto os livros do prof. Zecharia Sitchin), na Caldéia, Pérsia e Síria eram conhecidos como Sabiens (ver O esoterismo,p.140).

No Egito, herdeira da Suméria, existia toda uma estrutura em torno da astrologia, seus templos eram chamados casas da vida, verdadeiros centros intelectuais, os astrólogos eram chamados de hierogrâmatos, pois escreviam, como ainda hoje, sobre as medidas do sagrado, “O hierogrâmato se ocupa da cosmografia, da geografia, do curso do Sol e da Lua, da corografia, de preparar os planos e a construção dos templos.”(Riffard,1996.O esoterismo,p.172), existia uma hierarquia entre os astrólogos de acordo com suas práticas, enquanto o hierogrâmato tinha maiores responsabilidades pelo seu maior conhecimento, também tinha os horólogos, cuja função mediana, era de calcular os momentos propícios para o culto no Templo, logo abaixo viam os horóscopos que eram encarregados dos cálculos dos dias fastos, neutros e nefastos.

Na China a astrologia era chamada de hing Ming, considerada uma prática mântica e está ligada a criação do xadrez, “O primeiro jogo de xadrez na China data de aproximadamente 570. Suas peças representam os símbolos: Sol, Lua, estrelas, constelações, elementos, yin e yang...As peças estão dispostas em função da posição dos astros e das estações. Assim, o jogador participa do jogo cósmico, unindo suas forças às forças do universo.”( Riffard,1996.O esoterismo,p.317).

Para os estudiosos do esoterismo, os esoterólogos, classificam o esoterismo em: históricos, morfológicos e ideais. A astrologia perpassa por todos eles, mas está mais explícita no esoterismo morfológico que é dividido em Artes Ocultas e Ciências Ocultas. As Artes Ocultas são: alquimia, astrologia, adivinhação, hierurgia, magia, medicina oculta e talismânica. Enquanto Arte Oculta a Astrologia é dividida em: influencial, simbólica e filosófica. Dentro da medicina oculta existe a medicina astrológica ou iatromatemática. As Ciências Ocultas são: hermenêutica, iniciática, metafísica, ciência dos ciclos, ciência das letras ou ciência dos nomes, ciência dos movimentos, ciência dos números, ciência dos prodígios e simbólica. Destas as ciências dos ciclos, dos movimentos e dos prodígios, são sinônimas da astrologia e são delas que advêm a ciência do calendário, a astrosofia e a ciência dos presságios, respectivamente.

Na Grécia a astrologia também floresce, pois seus maiores filósofos vão beber na sabedoria egípcia e na Mesopotâmia (Beroso), Platão fala dela nos seus livros Timeu e Epinomis. “A astrologia tornou-se popular no séc.II a.C, em particular graças às Revelações de Nechepso e de Petosiris, sábios egípcios. Os mais célebres astrólogos foram Hefaístos de Tebas, Paulo de Alexandria e sobretudo aquele que faria a síntese da astrologia antiga e forneceria o grande livro da astrologia européia até o séc.XVI:Cláudio Ptolomeu, autor de Tetrabíblia.” ( Riffard,1996.O esoterismo,p.392).

Em Roma, a astrologia recebeu três formas básicas: uma técnica, chamada de genetlialogia, que é o estudo do mapa individual, representados nas figuras dos astrólogos oficiais dos Imperadores, Teógenes para Augusto (38 a.c), Trássilo para Tibério (14), Balbílio para Nero (54) e Ptolmeu para Oto (69); uma forma religiosa, chamada de teologia solar, daí a popularização do horóscopo solar, que veio do Egito, adaptado ao indivíduo, por isso todo no Ocidente se conhece mais seu signo solar que seu signo ascendente; uma forma filosófica, o misticismo astral, uma teoria astrológica da imortalidade da alma por Cipião Emiliano, citado por Cícero em Da República.

Na Idade Média a astrologia renasce através da astrologia Árabe, quando esta invade o ocidente,influenciando até Dante, que coloca a astrologia num lugar de destaque em sua obra Banquete.

“Albumasar se entrega a considerações histórico-astrológicas sobre o nascimento e o declínio das grandes religiões. Ele explica a oposição constante entre cristãos, judeus e muçulmanos (...)Essa oposição se manifestaria igualmente no dia da semana escolhido por essas religiões: sexta-feira, regida por Vênus, para os muçulmanos; o sábado, regido por Saturno, para os judeus; e o domingo, regido pelo Sol, para os cristãos. No século XIII, todas as famílias encomendam seus respectivos horóscopos. A astrologia é introduzida nos costumes” ( Riffard,1996.O esoterismo,p.556).

Todas as culturas, filosofias e religiões que conviveram com a astrologia conseguiram descobrir relações intrínsecas dessa sabedoria milenar com sua maneira de olhar a vida, como por exemplo na relação da Cabala judaica e da astrologia.

“Os muçulmanos não foram os únicos astrólogos a emergir da Idade Média. Os judeus desenvolveram sua própria versão da astrologia, apoiando-se nas tradições gregas e mesopotâmicas e também em fontes árabes.(...) No século I a.C emergiu da grande comunidade judaica em Alexandria um trabalho chamado O tratado de Shem.Escrito em aramaico, ele oferece 12 capítulos para cada um dos signos do zodíaco com previsões.” (Marshall,2006,p.324. A astrologia no mundo).

Na Renascença, temos um novo florescimento, com Agrippa, em sua Da Filosofia Oculta, Giordano Bruno, Regiomontanus, Giordano Cardano, este matemático, físico e médico, desenvolveu a resolução da equação de 3º grau, além de Nicolau Copérnico, Isaac Newton, Johannes Kepler, Galileu Galilei, Leonardo da Vinci, Jean-Baptiste Morin de Villefranche, com sua Astrologia Gallica, William Lilly, com sua Astrologia Cristã e o mais famoso de todos Nostradamus.

“Kepler não só nunca pôs em dúvida a possibilidade de elaborar temas de nascimentos exactos, como também quis renovar a astrologia, desenvolvendo todo um sistema tradicional baseado na velha doutrina pitagórica da harmonia das esferas: cada planeta emite na sua órbita a sua música própria.” (Hutin,1989,p.137.História da Astrologia).

Hoje a astrologia está num momento de virada, após os movimentos detratores, tanto do lado das religiões e como do lado dos cientistas, ambos se borrando de medo de perderem seus pedestais, sua influência e todas as benesses materiais que disso advém, terem que se curvarem diante da obviedade cada vez mais gritante de que tudo está intimamente interligado.

“A ciência moderna está aceitando a tradição antiga que o cosmo influencia o tempo atmosférico, a vegetação e a qualidade do ar que respiramos. Ele pode até influenciar nosso humor e personalidade.” (Marshall,2006,p.388. A astrologia no mundo).

Para encerrarmos esse esforço sintético de mostrar como a Astrologia é imensa em sabedoria tanto quanto a maioria de nós é ignorante sobre ela, vejamos alguns pesquisas atuais interessantes em várias áreas do conhecimento que chegam a conclusões semelhantes sobre a sabedoria astrológica:

“Após estudar os ciclos em ação em toda a natureza, o professor Elisworth Huntington, de Harvard, reconheceu: ” (Marshall,2006,p.389. A astrologia no mundo).“Experimentos realizados por Frank A.Brown, professor de Biologia na Northwestern University, o levaram a concluir que os organismos podem ser receptores altamente sensível até dos impulsos mais fracos da Lua.” (Marshall,2006,p.390, A astrologia no mundo).

“Após uma longa série de experimentos sob condições controladas, a teosofia Lily Kolisko, seguidora do sistema de Biodinâmica de Rudolf Steiner, concluiu que existe uma relação entre o ritmo do crescimento das plantas e as fases da Lua sob as quais elas foram plantadas.” (Marshall,2006,p.391. A astrologia no mundo).

“Estudos recentes nos Estados Unidos parecem ter apoiado a antiga prática dos cirurgiões ayurvédicos na Índia que atrasam a operação até que a Lua comece a minguar para evitar as cicatrizes.” (Marshall,2006,p.391. A astrologia no mundo).

“Os experimentos do professor Giorgio Piccardi na Universidade de Florença com a <água ativada>...mostrou que forças extraterrestres mudam as propriedades da água.” (Marshall,2006,p.392. A astrologia no mundo).

“De uma perspectiva diferente, o controverso astrônomo britânico Percy Seymour argumentou que a vida orgânica responde, através do seu sistema nervoso, às propriedades magnéticas da Terra, Lua e Planetas.” (Marshall,2006,p.392. A astrologia no mundo).

Que essa pequena história da astrologia, que é uma pequena história do Ser Humano na Terra, possa levar o seu olhar para lugares e situações nunca antes imaginadas...bem-vindos ao estonteante, desconhecido e maravilhoso mundo da Astrologia.

Referências Bibliográficas:

1. HUTIN, Serge. História da astrologia. Lisboa. Edições 70. 1989.177p.
2. MARSHALL, Peter H. A astrologia no mundo: uma visão histórica para entender melhor a personalidade humana. Rio de Janeiro. Nova Era.2006. 465p.
3. SEYMOUR, Percy. Astrologia: a evidência científica. Rio de Janeiro. Record, 1997. 299p.
4. SUZUKI, Marilha Maneschy. Astrologia no Brasil:os caminhos da história no céu astral. Rio de Janeiro. Pluri. 2007. 137p.
5. RIFFARD, Pierre A. O esoterismo. São Paulo. Mandarim, 1996. 856p.

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