A ASTROLOGIA DA TRANSFORMAÇÃO


A principal função da compreensão do próprio mapa astral numa perspectiva de instrumento de Iluminação Espiritual é a transformação do carma potencial trazido de outras encarnações, somado ao carma criado nessa encarnação, num dharma, compreendido como a Missão de Vida cumprida.

A astrologia pode ser interpretada em quatro níveis, em semelhança aos quatro mundos da Cabala: nível biológico (mundo de asiah ou da ação); nível sócio-cultural (mundo de yetsirah ou da formação); nível individual (mundo de beriah ou da criação) e nível transpessoal (mundo de aziluth ou da emanação).

O Sol nos quatro níveis significa: no nível biológico, o princípio da paternidade; no nível sócio-cultural, a busca por reconhecimento social,prestígio e poder; no nível individual, a busca da realização do potencial humano; no nível transpessoal, a vontade de relacionar-se com Deus, ou seja, o Deus Interior. É nesse último nível que os místicos se concentram, lembrando que só um astrólogo místico é capaz de compreender e aplicar os quatro níveis citados.

A lua representa a polaridade contrária ao sol, yang e yin, negativo e positivo, ego e Mestre Interior, no nível transpessoal ou espiritual no qual devemos utilizar a astrologia como caminho de transformação e de iluminação, precisamos tomar consciência e direcionar o poder do ego para a maior expressão do Mestre Interior, caso contrário nosso sol sempre estará eclipsado pela lua, projetando uma sombra, que pode ser permanente por toda uma vida ou só por um período, a conhecida Noite Negra da Alma. É desse conhecimento que podemos concluir que escolas ditas esotéricas que ensinam que deve-se eliminar o ego estão equivocadas.

Mercúrio que representa a inteligência, no nível espiritual representa a capacidade de repolarização do poder mental e da intelectualidade para o conhecimento direto através da meditação centrada no Mestre Interior. Para termos uma noção da importância de Mercúrio no nível espiritual vejamos a seguinte passagem “O centro místico de Mercúrio é o “lugar” onde a Rosa floresce no cerne de todas as crucificações significativamente vivenciadas no espírito de Cristo, de acordo com o simbolismo dos rosa-cruzes.” (Rudhyar, em Um Estudo Astrológico dos Complexos Psicológicos,p.70)

Vênus trabalhado no nível espiritual representa nossa capacidade de materializar ideais, arquétipos que descem através do canal aberto pelo simbolismo de Vênus espiritualizado para o campo da consciência, ou seja, “o “Nós galáctico”, o estado de pleroma de consciência, tem a permissão do individuo para concentrar-se, de um modo específico, através do “eu”, dele ou dela, para atender a uma certa necessidade humana ou planetária. Mas, dentro do “Nós”, o “eu” continua sendo arquetipicamente o que é. Ele permanece, mas numa condição transfigurada; a “forma” é mantida mas os “conteúdos” da forma são transubstanciados.” (A Astrologia da Transformação,p.159-160)

Marte é a capacidade e a força de vontade que o místico deve ter para continuar no caminho. É da meditação sobre Marte em nosso mapa que podemos despertar o poder de germinação da Rosa da Alma na Cruz da Vida, através do desejo de iluminação, transmutando de um Homem da Torrente alienante da vida para um Homem de Desejo. Numa outra obra intitulada “Tríptico Astrológico”, no capítulo A Estação de Marte: reenergização, Rudhyar coloca “Nesse estágio da Estrada iluminada o individuo deve agir; mas precisa agir em termos de novos propósitos, novos valores, e de uma nova compreensão do poder do espírito universal.”

Energizado por Marte, o individuo tem agora a tarefa de meditar sobre Júpiter e seus aspectos no seu mapa astral para atingir o nível espiritual da utilização dessa energia que impulsionará a descobrir sua verdadeira meta espiritual e a relação com a sociedade em que vive.

Traçada a meta através de Júpiter, o individuo terá de no fim dessa meta alcançar a consciência da sua relação com o Deus Interior, alcançando assim uma nova estrutura de vida espiritual, através da meditação em Saturno no seu mapa. “Em termos de simbolismo astrológico, a estrela, que ainda é para o homem na Estrada Iluminada um fato transcendental, é um foco ou uma lente através da qual o ser universal de Deus radia como luz e como poder.” (Tríptico astrológico,p.219)

Depois da fase de Saturno há um divisor de águas que determinará a fase final para uma Iniciação no plano espiritual através de Urano, Netuno e Plutão. “A primeira parte do processo que faz de um homem um Deus vivente se encerra com o estágio de Saturno da Estrada Iluminada; mas a segunda parte também começa.(...)Urano e Netuno estão relacionados aos processos místicos de transfiguração e transubstanciação; ao passo que em Plutão e no planeta além de Plutão encontramos símbolos para as últimas fases da gestação do ser-Cristo. O derradeiro evento é o nascimento propriamente dito, o “ingresso na” Companhia das Estrelas: a verdadeira Iniciação.” (Tríptico astrológico,p.222)

O primeiro passo dessa fase final é dado através da meditação em Urano e seus aspectos no mapa astral. Como citado acima Urano representa simbolicamente a fase de transfiguração. Essa meditação e todo o trabalho espiritual que precisa ser feito ocasionará desafios às estruturas do ego que gera a transfiguração.

Vencidas as provas de Urano o individuo estará pronto para meditar e incorporar os dons e desafios de Netuno, que no nível espiritual representa a “Nuvem do Ignorar” que envolveu os apóstolos no Monte da Transfiguração, e aqui estará o grande desafio de Netuno, pois como em todas as fases e testes a reprovação ou insucesso gera alguns dificuldades adicionais, e nesse caso a nuvem que desce pode confundir muitas mentes despreparadas,mas que para os vencedores o prêmio é o recebimento da Graça Divina: “No estágio netuniano da Estrada Iluminada o grande obstáculo a vencer é o medo do desconhecido. O viajante parece perdido; a Estrela no alto pode estar obscurecida por um leve nevoeiro capaz de confundir completamente.(...)Netuno é a substância do Espaço criativo(...) é a eucaristia, o Pão e o Vinho que dão a vida eterna_ àqueles que experimentaram dentro da alma a semente de Deus e que o medo não fez recuar da glória e da responsabilidade. Em todos os níveis ele é o poder curativo e mantenedor da integridade do todo(...)No nível do grande organismo espiritual que se pode chamar “Homem”, esse poder netuniano é a “Graça”(Charis)- enviada a toda alma que reconheceu e aceitou sua participação nas “obras do espírito” e sua comunhão, no corpo místico de Cristo, com tudo o que pertence ao espírito.” (Tríptico astrológico,p.231-234)

Ultrapassado as provas de Netuno o Adepto estará pronto para enfrentar A Grande Iniciação,a prova final neste plano, Plutão, para isso terá que descer ao seu próprio “inferno” e enfrentar seus próprios “demônios” e “morrer” para toda uma percepção de vida e de mundo. Plutão simboliza o poder catártico de libertação através do Poder do Espírito Santo, o que podemos notar em seus aspectos negativos pela passagem de Plutão em Sagitário(signo da religião) de 1995 até 2010, ampliando o número de religiões evangélicas pentecostais e o fanatismo em geral, mas que no final a reação coletiva poderá trazer os aspectos positivos.

É a utilização das energias de Plutão que pode levar qualquer tipo de Reintegração do ser, é através dessa energia que o Homem de Desejo pode transmutar para o Homem de Espírito, por isso Plutão é considerado na Cabala como o não-sefirah Daat, o espírito Santo, a Shehinah, a região invisível mais provável de encontrarmos a Presença Divina. “Esse individuo, tendo experimentado um novo sentido de identidade consciente (Saturno), uma nova liberação do poder celeste-espiritual (Urano) e o crescimento dentro de seu ser interior de um novo tipo de organização dinâmica-substancial (Netuno) está pronto para repudiar e abandonar por completo tudo quanto anteriormente esteve no lugar desses três novos fatores da existência – seu velho sentido de ser, seu velho tipo de energias condicionadas pela Terra(...)O individuo que experimenta deliberada e conscientemente a Crucificação simbólica “morre” para a “humanidade comum” dos homens terrenos (...)O que Plutão põe à prova é a capacidade em todo individuo de transferir seu sentido de identidade pessoal da esfera da objetividade terrena e das ligações biopsíquicas para aquela da atividade “celestial”- o reino onde, como Estrela, ele se vê uno em propósito e em ser com seus Companheiros, dentro de uma Constelação simbólica (uma “Fraternidade espiritual”)”. (Tríptico astrológico,p.242-245)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OS PERIGOS DA LUA CHEIA

AMOR E SEXO: ARQUÉTIPOS ASTROLÓGICOS

O Poder e o Tempo.